Light Novels – Não só de mangás viverão os otakus

Você já deve ter ouvido falar em light novels. Nos últimos 20 anos, a popularidade desse tipo de publicação cresceu muito no Japão. Hoje, diversos animes e até mesmo mangás são meras adaptações desses “romances rápidos”.

…Mas o que é uma light novel?

Basicamente, light novels são livros de fácil leitura (explicarei depois) que possuem algumas ilustrações, geralmente no estilo mangá, e são publicadas no formato bunkobon, ou seja, são livros compactos de 105×148mm (tamanho A6).

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Para ter noção do tamanho A6, reparta uma folha A4 em 4 partes

Light novels usualmente são publicadas em capítulos, através de revistas especializadas ou pela internet. Cada capítulo possui entre 5 e 7 mil palavras e uma ou duas ilustrações. Quando determinado número de capítulos são finalizados, geralmente 5, a obra é publicada como um livro, no formato já mencionado. Portanto, cada volume possui em média 40 mil palavras, totalizando cerca de 200 páginas.

Antes de prosseguir, preciso falar sobre o sistema de escrita japonês

Os japoneses possuem 3 formas de escrita (sem contar o nosso alfabeto latino):

Hiragana um silabário utilizado para representar a forma escrita da língua japonesa sem a utilização de ideogramas. É composto por cerca de 104 sílabas, como (tsu), (dzu) e (ku).

Katakana outro silabário, porém é comumente utilizado para representar palavras de origem estrangeira ou nomes científicos.

Os Kanji são ideogramas, símbolos que representam palavras ou conceitos abstrados. Não se sabe ao certo quantos kanji existem, porém algumas estimativas chegam a dezenas de milhares, afinal eles existem há mais de 2000 anos.

Devido ao extenso número de kanji, é impossível aprender todos, na verdade não é necessário. Cerca de 2136 kanji são suficientes para o dia à dia de um japonês padrão, esse conjunto de kanjis é conhecido como Jooyoo Kanji (kanji utilizados em textos oficiais, jornais, revistas etc).

Contudo, 2136 ideogramas não são aprendidos do dia para noite. Por isso, o sistema educacional japones leva 12 anos para ensinar 2136 símbolos.

Funciona mais ou menos assim:

Teoricamente, os japoneses aprendem Hiragana e Katakana no primeiro ano do ensino fundamental. Porém, a maioria deles já os aprendeu no “jardim de infância”. Nesse primeiro ano, eles aprendem, também, 80 kanji.

Ao final do ensino fundamental, aos 11 anos, os alunos terão aprendido 1006 kanji.

Durante a escola média, dos 12 aos 15 anos, eles aprenderão mais 316 símbolos, totalizando 1322.

Aos 17~18 anos, ao terminar a escola secundária, um japonês médio deve conhecer cerca de 2136 kanjis.

À partir do ensino superior o número de kanjis pode variar para mais de 3000.

A questão é: dependendo da sua idade, você pode pegar uma publicação que simplesmente não pode ser lida, pois utiliza diversos kanjis complicados que você não conhece. Em novels comuns, até mesmo japoneses adultos podem apresentar dificuldades na leitura. Devido ao uso de kanjis pouco comuns, antigos ou arcaicos demais.

É por utilizar kanji mais simples, no máximo de nível colegial e acompanhados de furigana**, parágrafos curtos de até 3 frases e muitos diálogos, que as light novels são consideradas de fácil leitura.

** Furigana: É o nome dado à sílabas, em hiragana ou katanaka, que auxiliam na leitura de kanji. Elas se localizam em cima ou ao lado dos ideogramas e dizem como pronunciar tal kanji foneticamente.

Por exemplo, o Kanji que significa Japão

Por exemplo, o Kanji que significa Japão

AS ILUSTRAÇÕES

Nos primórdios das light novels, as ilustrações possuíam diversos estilos e eram feitas principalmente com tinta a óleo ou aquarela. A partir de 1990, depois da popularização de novels para garotas, utilizando imagens no estilo de mangás shoujo, o estilo mangá se tornou um padrão na indústria. Hoje, se tornou extremamente comum encontrar light novels com até 10 ilustrações em tons de cinza e algumas páginas coloridas.

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Nos anos 2000, a demanda por ilustradores que desenhassem no estilo mangá cresceu muito, ao mesmo tempo que softwares de ilustração se tornaram mais populares, possibilitando que os artistas desenhassem mais rapidamente. A partir dessa necessidade por novos profissionais, as editoras começaram a se organizar e a criar sistemas para designar ilustradores para diversas light novels.

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Páginas coloridas do volume 3 de GATE

Atualmente, os artistas são associados à determinada editora. Nela, eles podem transitar entre mangás e revistas de light novels, porém somente entre títulos pertencentes a sua editora. Quando uma editora, por exemplo, a Shuueisha, resolve publicar uma nova LN (light novel), é feito um levantamento de quais artistas estão disponíveis para ilustrá-la. Depois de diversas reuniões e negociações entre o editor, o autor e o ilustrador, a obra começa a ser ilustrada.

OBS: Também são levados em consideração fatores como a popularidade de determinado ilustrador.

É justamente pelo mesmo artista trabalhar em diversas light novels que a maioria delas têm ilustrações muito parecidas.

Existem casos, embora raros, de escritores que fazem suas próprias ilustrações. Além disso, alguns autores publicam suas light novels diretamente na internet, com isso, a escolha do ilustrador depende somente deles.

LIGHT NOVELS NO JAPÃO:

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O boom das light novels só aconteceu no início do novo milênio, com o sucesso de Haruhi Suzumiya. Atualmente, mais de 48% do mercado japonês de light novels está nas mãos da Grupo Kadokawa, que adquiriu várias editoras em 2009. Nesse mesmo ano, a indústria de light novels movimentou 30,1 bilhões de ienes (392 milhões de dólares), um valor bem modesto se compararmos aos 4,63 bilhões de dólares que os mangás movimentaram no mesmo período.

Embora as LN, em termos financeiros, sejam um mercado pequeno, é impossível questionar sua popularidade. Em 2015, Dungeon ni Deai wo Motomeru no wa Machigatteiru Darou ka (É errado tentar pegar garotas em uma dungeon?) vendeu 1.220.217 cópias, sendo a Nº1 do ranking anual de vendas, na frente de Sword Art Online e Mahouka Koukou no Rettousei.

Por falar em popularidade, é de se esperar que muitos japoneses sonhem em se tornar hokages autores de light novels. Isso não só e verdade, como existem diversos concursos destinados a achar novos talentos. Um dos concursos mais populares é o Dengeki Novel Prize,feito pela ASCII Media Works (editora que agora pertence a Kadokawa). Os vencedores recebem prêmios em dinheiro e alguns têm seus manuscritos publicados. Os prêmios variam de 50 mil até 3 milhões de ienes, cerca de 27 mil dólares. Por volta de 5000 manuscritos participam da Denki Novel Prize anualmente, porém em 2013 esse número passou de 6500.

ADAPTAÇÕES PARA ANIME

De uns anos para cá, muitas light novels foram utilizadas como material base para animações. Log Horizon, Sword Art Online, Konosuba, Heavy Object, entre outros. Porém, muitos se queixam que a grande maioria das adaptações de light novels são iguais, vide Absolute Duo, Gakusen Toshi Asterisk e Hundred. Isso é inegável.

Poster embutido em Eromanga-sensei

Poster embutido em Eromanga-sensei

SHIKASHI (contudo), essa sensação é causada pelo próprio cerne das light novels. Elas são feitas para serem simples e cheias de diálogo, seu objetivo, em geral, é simplesmente entreter o leitor. Além disso, a maioria das adaptações de LNs servem somente para divulgar o material original. Por isso, a maioria desse animes possuem somente 12 episódios e nunca ganham segundas temporadas.

Logicamente existem exceções, como Monogatari Series, Sword Art Online e Log Horizon. Porém, os motivos pra cada um deles ter ganhado novas temporadas são diferentes. [ Não explicarei nesse artigo]

Light novels, em geral, são recheadas de comédia, alguns clichês, histórias com desenvolvimento simples e uma pitada de ecchi. Entretanto, isso não quer dizer que não existam LNs profundas, com desenvolvimentos complexos, afinal, existem light novels de todos os tipos, cores e tamanhos. [ Okey, os tamanhos são sempre os mesmos: 105×148mm]. Ainda que a maioria foque numa leitura mais light (leve).

Preciso destacar que condensar 3 ou 4 volumes em 12 episódios faz com que muitos detalhes sejam ignorados, o que gera vários furos na história e a sensação de falta de profundidade em algumas adaptações. No caso de Musaigen no Phantom World, a versão animada, basicamente, ignorou todo o enredo original.

LIGHT NOVELS FORA DO JAPÃO

Ao contrário dos mangás, light novels nunca fizeram sucesso fora do Japão. No início de 2000, houveram algumas tentativas fracassadas de publicar esse tipo de material nos Estados Unidos. Tão logo as editoras perceberam o baixo numero de vendas, todas foram canceladas. Poucos anos depois, a editora Yen Press começou a publicar LNs e em 2015 criou o selo Yen On, para publicar ainda mais light novels. Ao contrário da primeira tentativa, a segunda vinda das light novels pra o ocidente foi bem sucedida. Hoje, o Yen On possui mais de 30 títulos em inglês.

Danmachi publicado pela Yen Press e adquirido pelo Bookdepository.

Danmachi publicado pela Yen Press e adquirido pelo Bookdepository. Infelizmente, a Yen On costuma publicar as LNs como livros comuns, ou seja, com tamanho A5.

Em 11 de abril de 2016, foi anunciado uma Joint Venture (empreendimento conjunto) entre o Hachette Book Group, dono da Yen Press, e a Kadokawa, para trazer ainda mais light novels para os Estados Unidos.

No Brasil, a pequena Editora NewPop, começou a publicar light novels em 2010, com Gravitation Red. Mais tarde, publicou No Game No Life (cujo autor é brasileiro) e já anunciou que publicará Log Horizon em 2016. Outras light novels lançadas pela NewPop são: Kakyou e seu diário de conquista da terra (2013), Soel & Larg, as aventuras de Mokona Modoki (2013), Puella Magi Madoka Magica: The Novel (2014), K – side: blue (2015) e Fate/zero (2015).

Edições nacionais de NGNL

Edições nacionais de NGNL

Além da NewPop, outras editoras publicaram algumas light novels, ao longo dos anos. A JBC publicou Samurai X – Crônicas de um samurai na era Meiji (2006),Death note – another note (2011), Death note – L change World (2011) e Densha otoko (2013).

Houveram também Os Cavaleiros do zodíaco – gigantomaquia (2004), pela Conrad, e algumas light novels sortidas publicadas por editoras das quais nunca ouvi falar….

ONDE COMPRAR LIGHT NOVELS?

Bom, se você planeja comprar alguma publicação da NewPop, recomendo fortemente que o faça pela loja oficial da editora.

Para quaisquer outras, as melhores opções são a Saraiva e a Livraria Cultura.

PS: NUNCA COMPRE NA COMIX! Exceto se você for comprar na loja física deles, daí não tem tanto problema.

[…] O Brasil está muito mal servido de light novels. Se você possui um bom entendimento do inglês e/ou quer treiná-lo, recomendo a compra de light novels nos EUA. O site perfeito para isso é o Book Depository, nele você encontra inúmeras light novels e mangás com FRETE INTERNACIONAL GRÁTIS!!! Infelizmente, demora até 2 meses para chegar no Brasil, porém não são cobrados impostos sobre livros e o material vem impecável. Ao contrário de certa loja de QUADRINHOX, que fica no Brasil, mas também demora horrores para entregar mangás e LNs, danificados ainda por cima…

Eu praticamente parei de comprar mangás, a fim de economizar (ah! Esse dólar…tss) para adquirir mais light novels em inglês.

A minha única reclamação sobre as light novels em inglês é mudança no tamanho. Lá, esses putos imprimem LNs em tamanho A5.

A minha única reclamação sobre as light novels em inglês é mudança no tamanho. Lá, esses putos imprimem LNs em tamanho A5.

“Ah! Linki, mas eu sou pobre, não posso comprar light novels… Existe algum lugar pra eu ler light novels de graça?” – Amiguinho, não vou compactuar com sua vontade de piratear, seu BAKA-tsuki..org!

MINHAS LIGHT NOVELS FAVORITAS:

  • Log Horizon

  • Hataraku Maou-sama

  • No Game No Life

  • High School DxD

  • Dungeon ni Deai o Motomeru no wa Machigatteiru Darou ka?

  • Eromanga-sensei


Se você estiver interessando em saber um pouco mais sobre a produção de light novels, recomendo fortemente a LN ou o mangá Eromanga-sensei. Essa obra é focada na comédia, porém se você prestar atenção, poderá absorver um pouco da rotina de um autor e/ou um ilustrador. [ … e um pouco de ecchi também].

Gostaria de agradecer ao Kyon Fernandes por me informar que Another, NO.06 e 1 litro de lágrimas são novels comuns e não light novels. Essa confusão aconteceu porque muitos sites os listam como light novels. Vlw aí, rapaz!

Você já leu alguma light novel? Acompanha alguma? Responda nos comentários…

Sobre Linki-sensei

Um montante considerável de matéria das estrelas, composto principalmente de carbono, hidrogênio e muita simpatia [não]. Desconsiderando surtos obsessivos por coisas aleatórias, passo boa parte do meu tempo consumindo mangás e animes em grande quantidade. Sou administrador do sites da Rede Tsuzuku e dou aulas de física nas horas vagas, além de pregar que 2D >> 3D.
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  • Pedro Henrique

    Meu sonho é que yen press lance a light novel de High schooll DxD

    • Lucas Linki

      Pois é, mas infelizmente parece que eles não tem interesse.

  • lucas

    eu ouvi falar que shinmai maou no testamente foi publicado pela new pop. é verdade?

    • Lucas Linki

      Na verdade, não. O mangá de Shinmai “é” publicado pela Panini, mas a novel não foi licenciada para o brasil. Obrigado por comentar.