A História dos Animes #5 – As mudanças do novo milênio

Ah! O Japão, um arquipélago de 6852 ilhas banhadas pelas águas do Oceano Pacífico. Um país altamente desenvolvido que produz tecnologias de ponta. Detentor de uma cultura milenar, um lugar onde o antigo e o novo coexistem em paz… Nada disso importa para nós, pois quando pensamos no Japão lembramos de pikachus, Gokus e Narutos. Alguns podem achar que esta visão é lastimável, mas o próprio governo japonês se aproveita dos animes e afins para espalhar sua cultura e acima de tudo a imagem de um Japão “maneirão” pelo mundo.

Hoje, na História dos Animes falaremos sobre o novo milênio, mais precisamente dos primeiros 9 anos do século XXI (falarei do ano 2000 também, não precisam encher meu saco, eu sei contar os séculos).

OBS: Os textos em vermelho escuro refletem somente minha opinião pessoal.

A indústria de animes e mangás realmente se tornou algo importante para a Terra do Sol Nascente, só para ilustrar: a indústria de animação movimentou cerca de 2,4 Bilhões de dólares em 2009, somente no Japão. Podemos observar o crescimento do mercado japonês de animação no gráfico abaixo.

tamanho_mercado_de_animacao

Como a situação financeira do Japão, de modo geral, não era das melhores, era de se esperar que o governo apoiasse uma indústria que movimenta uma quantidade significativa de dinheiro como essa. A década de 2000 foi marcada por este apoio e desejo de transmitir uma boa imagem do país através dos animes, além de várias tentativas de atrair os jovens para o ramo da animação.

Vamos aos problemas.

A economia japonesa estava horrível. O período entre 2000 e 2010 foi uma extensão da década perdida, da qual falamos nos últimos artigos. Para que continuassem viáveis, as produções precisavam cada vez custar menos. Com isso o salário dos animadores e outros profissionais da indústria estavam ficando cada vez menores. Além disso, esses profissionais chegavam a trabalhar 14~15 horas por dia.

Os problemas de natalidade, que o Japão enfrenta até hoje, fazem com que a força de trabalho não se renove adequadamente. Principalmente na indústria da animação, pois os salários são muito baixos e as condições de trabalho são péssimas. Hoje, carecendo de ideias novas, vindas de jovens animadores e produtores, a animação japonesa vive um período de baixa criatividade e originalidade. Pelo menos é o que dizem por aí…

Como isso afetou a animação?

Uma animação é composta de inúmeros desenhos (quadros) que são mostrados em sequência para dar a impressão de movimento. Um episódio comum de anime passa facilmente de 4 mil quadros.

tumblr_n08q9q2cFj1qmlmyuo1_500

Animadores mais experientes desenham os chamados “quadros-chave”, que são os principais quadros da animação. Estes são muito detalhados e “guiam” a animação.

Entre um quadro-chave e outro, devem existir vários quadros intermediários que são desenhados por animadores iniciantes e possuem menos detalhes e uma qualidade inferior.

É por isso que as vezes ao pausar um episódio de anime vemos uma imagem mal desenhada, com uma qualidade inferior aos demais quadros, nesse caso, o anime foi pausado em um quadro intermediário.

Um exemplo do novo Dragon Ball

Um exemplo do novo Dragon Ball

Com a necessidade de reduzir custos, alguns estúdios terceirizam parte do trabalho para empresas estrangeiras, onde a mão-de-obra é mais barata. Se tornou comum achar quadros intermediários que foram produzidos em países como China, Tailândia, Índia e Vietnã, enquanto os quadros chave são desenhados no Japão.

Isso não é uma exclusividade da animação japonesa. Os Simpsons, por exemplo, utilizam este recurso há muito anos. Hoje é provavel que mais de 60% de cada episódio seja produzido na Koréia.

Então, isso aconteceu:

vrsjyq4yoe2neh4fl4xm

Uma das características mais notáveis da animação nos anos 2000, foi a mudança no estilo visual. Traços mais finos, sombras e luzes mais simples, linhas delicadas… Você pode estar se perguntando o porquê dessa mudança tão grande. Pois bem, é disso que vou falar agora.

Muitos podem dizer que a mudança se deve à uma simples evolução artística. Sabe, novas gerações tentando recriar as coisas do seu próprio jeito. Embora isso seja verdade, não foi o fator determinante para esta mudança.

No artigo anterior, vimos que a animação digital começou a ser utilizada em meados de 1995, com alguns acertos e muitos erros. Entenda! Essa era uma tecnologia recente, limitada e cara, mas com o passar do tempo, no início da década de 2000, a animação e colorização digital se tornaram amplamente presentes nos estúdios japoneses.

A animação digital, é a principal responsável por esta mudança de estilo. Antes dela, a animação utilizava principalmente celuloides pintados manualmente com tinta guache. Com a animação digital, os quadros chave são escaneados e coloridos digitalmente, o que possibilita efeitos que eram inimagináveis em 1990.

Exemplo de animação digital

Exemplo de pintura digital

Repare bem, na personagem desenhada ao estilo pré-digital você pode identificar traços dignos de um mangá. Porque os quadros eram desenhados como tal e depois pintados como uma capa de mangá, utilizando tinta de verdade.

Celuloid pintado à mão. A tinta é aplicada no verso e o traço na frente.

Celuloid pintado a mão. A tinta é aplicada no verso e as linhas são feitas na frente.

Essa evolução tecnológica possibilitou traços e efeitos mais delicados, cenários fotorealistas e abriu possibilidades sem precedentes para a animação, incluindo uma melhor integração com CGI.

O Arrebatamento de Sen e Chihiro

Eu criei uma heroína que é uma garota comum, alguém com quem o público pode se identificar. Esta não é uma história onde os personagens amadurecem, mas sim uma história na qual eles, devido a circunstancias particulares, liberam algo que já estava dentro de si, Eu quero que minhas jovens amigas vivam dessa forma, e eu acho que elas, também, o desejam.” – Hayao Miyazaki

Certa vez, Hayao Miyazaki estava passando férias nas montanhas. Ele havia acabado de dirigir vários filmes para seu estúdio, mas fazia tempo que não escrevia um. Nestas férias, além de sua família, haviam 5 jovens garotas. Miyazaki, que já havia produzido filmes para crianças e adolescentes, mas nunca um longa-metragem voltado para garotas de 10 anos. Depois de ler vários mangás shoujo, decidiu produzir um filme sobre uma heroína que pudesse inspirar essas garotas.

wallpaper-sen-to-chihiro-no-kamikakushi-1-cartoons

Depois de 2 ideias rejeitadas, o enredo principal de Sen to Chihiro no Kamikakushi estava pronto. A produção começou em 2000, com um orçamento de 19 milhões de dólares. A equipe do Studio Ghibli já estava acostumada com animação digital, eles contribuíram, inclusive, com várias funcionalidades do programa que utilizavam, o SoftImage.

Lembro-me perfeitamente de quando assisti “A viagem de Chihiro” em 2004. Eu ainda não assistia animes frequentemente, pelo menos, não fora da televisão. O filme é mágico, diferente do que eu costumava assistir. Como estava me aventurando na área de animação, assisti o making of mais de 20 vezes. O making of é muito interessante e tem direito ao Miyazaki cozinhando um miojão .

A viagem de Chihiro se tornou a maior bilheteria do Japão, mais de 10 milhões de dólares. Sua arrecadação passou de 274,9 milhões de dólares no mundo inteiro. A crítica? Todos só podiam elogiar esta obra-prima do cinema.

Além da bilheteria, O arrebatamento de Sen e Chihiro foi a produção que mais vendeu DVDs no Japão, foram mais de 2,4 milhões de cópias.

Hoje, o filme está entre os 100 melhores filmes de todos os tempos. Ganhou dezenas de premiações, destacando o Oscar de Melhor Animação de 2003 (sendo o primeiro filme não americano a ganhar esta premiação).

É do Brasil Japão!!!

Sobre os robôs gigantes…

É comum dividir as séries de Mechas (Robôs) em duas categorias: Robôs Realistas e Super Robôs.

Na década passada, 1990, séries de Robôs Realistas perderam força, foram praticamente esquecidas, deixadas de lado. Enquanto os Super Robôs, embora em declínio, tiveram seu momento de destaque com Neon Genesis Evangelion. Na verdade, é difícil classificar Evangelion, porém, depois de bastante pesquisa, resolvi enquadrá-lo como um Super Robô.

Em 2002, Robôs Realistas com munição e energia limitadas, problemas mecânicos e etc, voltaram a ganhar destaque. Pois em outubro desse ano estreou Mobile Suit Gundam SEED. Com a popularidade do gênero restabelecida, outras séries foram produzidas em seguida, como Eureka Seven (2005), Code Geass (2006), Gundam Zero (2007) e Macross Frontier (2008).

O gênero, dos Super Robôs foi revivido mais cedo, em 1997, mesmo sem considerar Neon Genesis Evangelion. Pois em 1997 foi lançado GaoGaiGar, que definitivamente colaborou para a volta dos Super Robôs. Alguns exemplos de séries de Super Robôs do novo milênio são: New Getter Robo (2004), Kotetsushin Jeeg (2007) e principalmente Tengen Toppa Gurren Lagann (2007).

A obra prima do GAINAX

“Acredite em você mesmo. Não no você que acredita em mim. Não em mim que acredito em você. Acredite no você que acredita em você mesmo.”

f63Jfyo

Perfurando os céus com Gurren Lagann começou como uma simples série de robôs gigantes. Os próprios produtores e escritores não faziam ideia do que esta simples comédia viria a ser tornar.

Se uma palavra pudesse definir Tengen Toppa, esta seria “exagero”. Pergunte a qualquer um que já tenha assistido. Um robô gigante com brocas (furadeiras), personagens bem desenvolvidos, comédia, ação e bons relacionamentos. Essas são algumas das características de Gurren Lagann, mas o principal é a forma com que este anime te inspira, a maneira com que ele te arranca lágrimas e acende o fogo da sua alma.

Tengen Toppa fez muito sucesso! Embora seja pouco conhecido no Brasil, o anime ganhou vários prêmios, “Melhor Produção”, “Melhor Design de Personagens” e o “Prêmio de Excelência” do Japan Media Art Festival de 2007.

O anime original ganhou 2 filmes, Gurren-hen e Lagann-hen, que resumem os 27 episódios mudando a luta final, mas sem alterar a conclusão do anime. A obra também ganhou uma adaptação em mangá, em 10 volumes. Além de uma série de OVAs musicais entitulada “Parallel Works”.

O seu impacto na cultura pop, principalmente no ocidente foi significante. Ele já foi referenciado em quadrinhos e videogames. Chegou até a servir de inspiração para uma animação dos Transformers.

Assista! Assista o anime e entenda o porquê dele ganhar um destaque neste artigo. O porquê dele ser importante na história da animação

Talvez você não considere que Tengen Toppa Gurren Lagann seja a obra prima da animação. Porém, não sou só eu quem estou dizendo. Todas as pessoas para as quais apresentei Gurren Lagann acham o mesmo. Então, dê-lhe algum crédito, afinal, “quem diabos você pensa que nós somos?”

Mais algumas coisas que aconteceram nesse período:

  • Popularização de personagens MOE, Bishoujo (garotas bonitas) e Bishounen (garotos bonitos)

  • Popularização dos gêneros Harém e Slice of Life (experiências cotidianas)

  • Aumento de popularidade dos animes baseados em Visual Novels e Eroges (jogos eróticos). Por exemplo, Green Green (2003), Fate/stay night (2006) e Clannad (2007)

  • Animes adaptados de Light Novels ficaram mais populares. Embora a primeira adaptação de LN seja de 1988, não era comum utilizá-las como material para adaptação.

  • A cultura Otaku começou passou a ser altamente explorada. Já que um grupo pequeno de pessoas acaba sustentando metade da indústria.

A inexplicável volta dos filmes de grande orçamento

Desde Akira, filmes de animação japoneses passaram a ter orçamentos reduzidos. Embora existam algumas exceções, como Ghost in the Shell e as produções do Studio Ghibli, os anos 90 foram cheios de produções pequenas, seguras. Entretanto, isso viria a mudar a partir de 2001. Inexplicavelmente, talvez por causa do sucesso de “O arrebatamento de Sen e Chihiro”, estúdios como a Madhouse começaram a investir grandes quantias de dinheiro em seus filmes.

Em 2001, a Madhouse investiu 14,5 milhões de dólares na adaptação do mangá Metropolis para o cinema. Porém, o filme só arrecadou pouco mais de 4 milhões pelo mundo.

Appleseed, baseado em um mangá de mesmo nome, foi lançado em 2004. Com um orçamento de 10 milhões de dólares, arrecadou 1,4 milhões.

Steamboy, também conhecido como “o segundo filme de animação mais caro do Japão” foi lançado em 2004. Os 20 milhões de dólares gastos em sua produção quase se pagaram. Sim, quase, pois erros logísticos da SONY fizeram com que o filme fosse exibido em pouquíssimas salas, por isso, o filme deu um prejuízo de quase 3 milhões de dólares.

Mesmo sem revelar o quanto gastou, a Madhouse certamente teve outro prejuízo com Paprika em 2007. Pois sua arrecadação foi de 944 MIL dólares e 5 balinhas ao longo do mundo.

A sequência de Ghost in the Shell, Ghost in the Shell 2: Innocence, também não escapou. O filme arrecadou pouco menos de 10 milhões, pagando basicamente metade dos seus custos de produção…

Todos os exemplos acima foram sucessos de crítica. A maioria deles ganhou mais de uma premiação. Isso não muda o prejuízo que causaram à seus estúdios. Mesmo considerando que o mercado de animação japonês se concentra no Home Video (vendas de DVDs etc), muitos desses filmes continuaram dando prejuízos, mesmo com boas vendas.

ghibli_--

Em contrapartida, as superproduções do Studio Ghibli continuaram incrivelmente lucrativas. O que era de se esperar depois de um Oscar e de ter seus filmes distribuídos pelo mundo todo, pela Disney. Veja por si próprio:

  • Neko no Ongaeshi (O Reino dos Gatos) custou 20 milhões de dólares e arrecadou 54 milhões, em 2002.

  • Hauru no Ugoku Shiro (O Castelo Animado) de 2004, teve um orçamento de 24 milhões e arrecadou incríveis 235 milhões de dólares

  • Gedo Senki (Contos de Terramar), faturou mais de $68 milhões, custando apenas 22 milhões, em 2006.

  • Gake no Ue no Ponyo (Ponyo do Penhasco) foi lançado em 2008. Sua arrecadação ultrapassou a barreira dos 200 milhões de dólares. Na sua produção foram gastos somente 34 milhões.

  • Kari-gurashi no Arietti (O Mundo Secreto de Arrietty). 23 milhões. 145 milhões…

Nesse período, alguns diretores novatos começaram a fazer sucesso. Filmes como Toki o Kakeru Shōjo (A Garota que Conquistou o Tempo) e Summer Wars (Guerras de Verão), dirigidos por Mamoru Hosoda e produzidos pela Madhouse, fizeram sucesso e receberam várias premiações.

Summer Wars conseguiu, inclusive, ser um sucesso financeiro, arrecadando mais de 18,4 milhões de dólares.

Vale destacar, também, a obra de Makoto Shinkai (o Miyazaki do mal e sem coração), Byousoku Go Senchimeetoru (5 Centímetros por Segundo) que foi lançado em 2007. A obra foi altamente aclamada pela crítica e embora seu orçamento não tenha sido muito grande, não deu prejuízo. O filme também foi listado como “o melhor filme de animação japonesa não feito pelo Miyazaki”.

Animes: de noite

Hoje em dia é comum a exibição de animes noturnos na televisão Japonesa. Isso se deve a vários fatores, principalmente o econômico. Já que é mais barato exibir seus animes fora do horário de pico e de quebra a censura é menos branda.

Depois do sucesso de Neon Genesis Evangelion, os “Animes de Tarde da Noite” começaram a ficar cada vez mais populares, porém o pioneiro foi Erufu wo Karu Mono-tachi (Aqueles que caçam elfos), exibido na TV Tokyo em 1996.

Os “Animes de Tarde da Noite” são exibidos, geralmente, entre 23:00 e 5:00, mas isso depende da emissora.

Talvez você já tenha visto esse logotipo em algum lugar...

Talvez você já tenha visto esse logotipo em algum lugar…

Em 1995, a TV Fuji criou o Noitamina (Animation ao contrário, percebi isso agora), um bloco que tentava expandir a audiência dos animes para jovens mulheres. O noitaminA durava meia hora e era exibido às sextas-feiras, das 0:40 às 1:15. Depois da TV Fuji, outras criaram horários para diversificar seu público-alvo, para além dos homens adolescentes e jovens adultos, que são a audiência padrão.

O bloco Noitamina continua até hoje, no mesmo horário, embora seu público-alvo tenha deixado de ser jovens mulheres e se tornado mais geral, pessoas que assistem animes casualmente. Até então, já foram exibidos mais de 55 títulos, sendo o mais recente o anime Erased (Boku dake ga Inai Machi).

No ocidente:

Animes infantis, como Pokémon, Digimon, Beyblade e “Yu-Gi-Oh!” faziam sucesso pelo mundo inteiro. Aliados à um forte merchandising movimentaram bilhões de dólares. Canais como Cartoon Network passaram a exibir bastante animes, chegando a criar blocos em suas programações destinadas exclusivamente para tal.

Death Note, Naruto, One Piece, Bleach, Fairy Tail e muitos outros animes se tornaram incrivelmente populares no ocidente. Além de popularizarem as animações japonesas por aqui, essas produções tornaram os animes mais evidentes para um público mais casual e se tornaram uma porta de entrada para milhares de outras séries.

A animação ocidental começou a se apropriar de algumas características dos animes e mangás. Avatar: A Lenda de Aang, Samurai Jack e Jovens Titans são alguns exemplos. Até mesmo os quadrinhos americanos agregaram algo a partir dos animes e mangás, em seguida essas características foram passadas para animações de super-heróis estadunidenses.


Espero que este artigo não tenha ficado muito sentimental. É realmente complicado falar de uma história tão recente. Muitas coisas aconteceram ao mesmo tempo, seus impactos ainda não são totalmente conhecidos e por isso é difícili decidir do que falar. Portanto, diferente dos artigos anteriores, falei de forma mais geral sobre os gêneros.

O próximo artigo será o último. Nele tratarei sobre a atual situação da indústria dos animes e do Japão, porém o foco principal será o futuro. O que o futuro nos reserva? Por que algumas pessoas profetizam um animecalipse?

Sobre Linki-sensei

Um montante considerável de matéria das estrelas, composto principalmente de carbono, hidrogênio e muita simpatia [não]. Desconsiderando surtos obsessivos por coisas aleatórias, passo boa parte do meu tempo consumindo mangás e animes em grande quantidade. Sou administrador do sites da Rede Tsuzuku e dou aulas de física nas horas vagas, além de pregar que 2D >> 3D.
Postado em Textos, Waifulogia. Adicione aos favoritos.