A História dos Animes #2: Os anos 70 e seus robôs gigantes

No capítulo anterior, falamos sobre a evolução da animação japonesa desde antes da Segunda Guerra até a criação de grandes estúdios de animação como a Toei. Naquela época animações eram exibidas principalmente em cinemas, mas graças ao Deus do Mangá séries animadas para TV começaram a aparecer.

Durante os anos 70, a exibição de animações no cinema começou a perder força, enquanto o mercado televisivo crescia bastante. Essa competição entre as mídias forçou a Toei Animation a reduzir sua equipe, o que fez com que vários de seus animadores fossem trabalhar em outros estúdios.

A animação para televisão se tornava cada vez mais popular no Japão. Isso se deu principalmente pela influencia de Tezuka. Ele estabeleceu que animações eram uma forma de contar histórias adequadas para todas as idades. Seu estúdio, Mushi Productions, havia lançado várias animações adultas como Senya Ichiya Monogatari ( Mil e Uma Noites) em 1969 e Cleopatra em 1970.

Nesta década as coisas começaram a acontecer muito rapidamente. Vários estúdios se destacaram na produção de animações para televisão e em sua exportação. Podemos citar:

Eiken

O Estúdio Eiken, conhecido como TCJ ( Television Corporation of Japan) até 1969.

Tatsunoko Production

Tatsunoko Production, criado em 1962, voltado especialmente para animações televisivas. Foi responsável por séries muito famosas como Speed Racer (1967) e Gatchaman (1972). É considerado um dos responsáveis por atrair a atenção do mundo para os animes.
– Mais tarde, o Tatsunoko daria origem à outros estúdios, como Studio Pierrot, I.G Productions e XEBEC.

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Tokyo Movie Shinsha ( TMS), criado em 1964, é um dos estúdios mais antigos do Japão. Foi responsável por um dos maiores sucessos da animação japonesa: Lupin III, que foi adaptado para TV em 1977. O estúdio continua até hoje e recentemente produziu animes como “Gugure! Kokkuri-san” e “Jitsu wa Watashi wa”. A TMS tem focado em suas próprias produções, embora já tenha feito muitos trabalhos terceirizados para Sunrise, Ghibli e BONES.

Em 1973, devido a dificuldades financeiras, a Mushi Productions abriu falência e como era comum na época, alguns de seus funcionários mais experientes formaram seus próprios estúdios. Então, das cinzas do saudoso estúdio de Osamu Tezuka surgiram a Sunrise, que até o final da década abalaria o mundo com sua série original Gundam, e a Madhouse Production, esta que com UM SOCO se tornaria um dos melhores estúdios da atualidade.

OBS: Uma nova Mushi Production foi fundada em 1977 e continua ativo até hoje. ( Embora sua última animação tenha saído em 2010)

Todos se amarram em RÔBOS GIGANTES

O milagre econômico japonês, que se iniciou com a ocupação pós-guerra, contrariou todas as expectativas. Em alguns anos o país se comparava ao ocidente em questão de desenvolvimento e qualidade de vida. Assim surgiu a expressão “ichioku-sohchu-ryu” que significa “ Uma nação de classe média”. A década de 1970 foi um periodo próspero e criativo para os japoneses e suas criações. Foi a época perfeita para alimentar a imaginação de um futuro país de alta tecnologia.


Tetsujin 28-gou

Tetsujin 28-gou

A essência dos animes na década de 70 é composta de robôs gigantes e batalhas espaciais futuristas. Vale destacar que a indústria na época dividia: robôs gigantes para meninos e Mahou Shojos ( Garotas mágicas) para meninas. Embora o gênero Mahou Shoujo tenha feito certo sucesso no periodo em questão, nada de significante parece ter acontecido com ele. Então, comentarei sobre ele somente quando chegarmos na década de 90.

A primeira aparição de um robô gigante foi em Tetsujin 28-gou, um mangá publicado em 1956. Ele conta a história de um garoto que controla um robô gigante, usando um controle remoto, e luta contra robôs gigantes do mal. Tetsujin ganhou uma adaptação para anime em 1963 e fez bastante sucesso com o publico infantil.

Mazinger Z

Mazinger Z

Mais tarde, outro grande sucesso, Mazinger Z, iniciaria em 1972 a era dos robôs gigantes pilotados por pessoas de dentro deles. Seu criador, Go Nasai, sempre gostou de Astroboy e Tetsujin 28-gou e disse que um dia enquanto esperava num sinal de transito pensou: “e se robôs gigantes pudessem ser pilotados de dentro, como um carro?”. Mazinger fez tanto sucesso que gerou várias sequências e séries derivadas, tornando-se em uma franquia que dura até os dias de hoje.

Ainda na década de 70 foram produzidos The Great Mazinger, uma sequência direta de Mazinger Z, e Grendizer, uma série derivada.

Spiderman e seu robozão

Spiderman e seu robozão

Em 1978, a MARVEL COMICS, editora americana de quadrinhos, estava mal das pernas. Para evitar a falência começaram a licenciar seus personagens para qualquer um que pudesse pagar. Foi assim que a nossa querida TOEI colocou suas mãos nos direitos do Spider Man ( Homem Aranha, para os íntimos). Dessa combinação improvável surgiu o icônico “Homem Aranha Japonês” (Supaidāman).

Robôs gigantes faziam tanto sucesso no Japão que começaram a aparecer em Tokusatsus. A série do Homem aranha foi importante, pois foi a primeira a utilizar este recurso. Nela o mensageiro do inferno, Spiderman, lutava contra o mal com a ajuda de seu fiel robô gigante, o Leopardon.

rx-78-2Embora o sucesso de robôs gigantes só aumentasse, as séries com essa temática eram voltadas para o público infantil. Isso viria a mudar com Gundam, uma franquia iniciada em 1979 pelo estúdio Sunrise. Diferente dos animes anteriores, Mobile Suit Gundam era uma série de ficção científica, onde os robôs gigantes eram máquinas militares. Eles não se montavam a partir de vários veículos coloridos, não se disfarçavam, eram puras máquinas de combate que possuíam um realismo único para a época: Limite de munição, defeitos, limite de energia… Gundam também se destacava pelo desenvolvimento único dos personagens, dentro do gênero Mecha, além de tentar explicar tudo com uma ciência plausível. Agora os animes de robôs gigantes haviam atingido a maturidade.

“Mas as aventuras espaciais que você prometeu? Hurr Durr.”

200bc4fefb4d6dfca1de7f298293bacfA Ficção científica cresceu muito no Japão dos anos 70. Em Space Battleship Yamato, vemos uma paródia à Segunda Guerra, só que dessa vez no espaço, contra aliens. A história foi muito bem aceita, gerando muitas sequências e séries derivadas. A franquia Yamato inspirou muitas outras séries espaciais pelos anos seguintes, chegando a ser uma das principais inspirações para Mobile Suit Gundam e também Evangelion. ( Infelizmente algumas tiveram música demais……. Coff! Coff! Macross. Coff!)


No próximo capítulo falaremos da década de 80, que é considerada por muitos
( não por mim) como a era de ouro da animação japonesa.


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Sobre Linki-sensei

Um montante considerável de matéria das estrelas, composto principalmente de carbono, hidrogênio e muita simpatia [não]. Desconsiderando surtos obsessivos por coisas aleatórias, passo boa parte do meu tempo consumindo mangás e animes em grande quantidade. Sou administrador do sites da Rede Tsuzuku e dou aulas de física nas horas vagas, além de pregar que 2D >> 3D.
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